

Não apenas pela natureza, mas também pelo povo, a Austrália é um lugar fascinante, assim como a cultura de praticamente todos os povos nativos do mundo. Baz Luhrmann deixa bem claro em seu novo projeto o quanto sente orgulho de ter tal lugar como berço. Tanto que chamou dois nativos para protagonizar uma aventura que leva sua assinatura em tudo, bom, quase tudo. Infelizmente Austrália consegue empolgar apenas em seu início, perdendo o brilho em todos os aspectos no desenvolver do longa.
A trama se passa em tempos de guerra e tem inicio na tentativa de Lady Ashley de vender Faraway Downs, terra do norte australiano. Chegando no local a moça fica fascinada por tudo, mas são os aborígenes, em especial o pequeno Nullah (Brandon Walters), quem a fazem perceber a importância que aquelas terras têm para eles, fazendo-a mudar de idéia e chocar interesses com as figuras mais poderosas do lugar. Lady Ashley contará coma ajuda de Drover (Hugh Jackman), um vaqueiro turrão que não custa a cair nas graças de Mrs Boss, como Ashley fica conhecida, o que dá início a uma história de amor rodeada por referências culturais australianas.
Austrália não contar com Craig Pearce (responsável pelos roteiros de Romeu+Julieta e Moulin Rouge ao lado de Luhrmann) e estar nas mãos de quatro roteiristas pode ter sido a maior causa de sua decadência. Isso porque logo no início fica evidente a semelhança entre o ritmo do filme e os longas anteriores de Luhrmann. Uma história narrada que começa de forma melancólica e ganha contornos frenéticos e cômicos durante toda a produção, para depois se entregar de vez a um forte drama, que elimina qualquer traço otimista, deixando o espectador atônito diante de alguma desgraça. As semelhanças param em “frenéticos e cômicos”…
A promessa que foi Austrália deixa espaço para monotonia e decepção completas após a primeira hora de filme. Depois disso não é mais possível aturar sem irritação os trejeitos forçados de Hugh Jackman e a falta de criatividade de Nicole Kidman. Os dois parecem tão perdidos quanto os roteiristas, que buscam recursos tolos para amarrar a trama, deixando furos e forçando a barra com um romance bobo. Os únicos momentos em que o roteiro realmente vale a pena são aqueles protagonizados por Nullah. A criança serve como referência de toda a admiração de Luhrmann por seu país, e isso resulta em ótimos momentos de simbolismo, de drama convincente e honesto.
A impressão que dá é que Luhrmann deixou tudo correr solto contando que ninguém se metesse em sua homenagem cegamente apaixonada de sua Austrália. Isso resulta numa divisão clara entre romance bobo e referências criativas à tradição aborígene.
Luhrmann é um dos poucos diretores que consegue andar na linha fina que divide o belo do pretensioso. Até mesmo num filme tão deficiente de história ele consegue fascinar pelo visual e sua direção intensa, inquieta e cheia de originalidade.
É triste ver um dos filmes que mais aguardei para 2009 não conseguir ser metade do esperado. Talvez Pearce seja o lucky charm de Luhrmann. Talvez os dois se completem. Para mim, ver Austrália foi praticamente uma constatação disso.


8 Comentários aqui!
fevereiro 5th, 2009 @5:17 am
This movie is sucks!
Nâo sei como podem lançar filmes como esse … que tentam ser épicos, serem monstruosamente belos, mas esquecem do primordial para qualquer filme … ser bom …
E curiosamente gostei de Jackman, mas os closes tipo “eu sou foda” é de doer …
e que merda de expressão Kidman faz no final em?
Abraços amigo!
fevereiro 5th, 2009 @8:45 am
É, ninguém gosto muito desse filme mesmo, na verdade tô pensando em deixá-lo de lado para ver filmes indicados ao Oscar em categorias mais importantes.
fevereiro 5th, 2009 @1:59 pm
Mais do que o roteiro e o elenco, culpo Baz Luhrmann pelo fracasso de “Austrália”. Acredito que o diretor pecou pelos seus excessos, pela vontade de ser magnânimo. Às vezes, ser simples é mais legal.
fevereiro 6th, 2009 @3:44 am
- Eu gosto muito do Jackman, JP. Acredito na versatilidade dele, na capacidade de inovar como ator (passei a acreditar nisso tudo quando o vi nas apresentações da Broadway), mas o Drover ficou irritantemente cowboy americano. Ele se destaca de tudo ao redor. Não gostei disso.
- Lembra o quanto estava empolgado por esse filme né, Vinícius. Uma grande decepção.
- Discordo, Kamila. Acho que isso já era de se esperar de um diretor que tem “berrante” escrito em letreiro neon nos seus dois últimos filme. Não fosse o clima “exagerado” (entre aspas pq exagero nunca é legal ^^) de Luhrmann certamente este filme seria ainda mais chato e longo do que já é.
Abraço a todos!
fevereiro 6th, 2009 @9:10 am
Luciano, achei o filme um horror, tive até faniquito (ehehehe). Eu não tenho nada muito contra a direção de Baz Luhrmann, que atinge alguns bons momentos, mas o sofrível aqui mesmo é o roteiro, que fez tudo desandar, especialmente no que se diz respeito aos desempenhos e a bagunça de como esse registro do país é encenado.
fevereiro 7th, 2009 @3:54 pm
Interessante sua teoria do Pearce. Talvez tenha sido mesmo o problema. Mas ainda verei “Austrália” indiferente às críticas e tentarei aprecia-lo.
Ciao!
fevereiro 8th, 2009 @5:45 am
- Acho “horror” exagerado, Alex, mas concordo com sua opinião sobre o roteiro.
- Faça isso, Wally!
Abraço!
Pingback & Trackback
Deixe o seu comentário!