



Em meu texto sobre Os Donos da Noite ressaltei exatamente o que estou prestes a argumentar novamente aqui: a abordagem. O Orfanato é mais um exemplo de que histórias, por mais que dependam de clichês, têm sempre um diferencial quando tratam a idéia de forma madura. A união de roteiro bem estruturado e direção precisa leva O Orfanato a um patamar bem distante do que estamos acostumados a ver ultimamente no gênero.
Laura (Belén Rueda) cresceu em um orfanato e depois de casada resolveu comprar o lugar para morar. Ela, o marido Carlos (Fernando Cayo) e o filho adotivo Simón (Roger Príncep) esperam encontrar a paz desejada no clamo e isolado lugar. Simón tem imaginação fértil o bastante para criar um amigo imaginário desde antes de chegar no lugar, mas a casa e o passado misterioso a cerca do ocorrido após a saída de Laura exercem certa influência sobre o garoto. Durante uma festa na casa, Simón desaparece sem deixar pistas. Laura, agora, precisa voltar ao passado e descobrir, no limite entre o real e o sobrenatural, onde está seu amado filho.
Amigos imaginários e casas assombradas há muito não são grandes atrativos. O que chama atenção em O Orfanato é a forma como J.A. Bayona entende que o acabamento dado ao filme seria a melhor forma de prender o público. Enquanto o roteiro busca algumas formas de manter o final secreto (sem grande sucesso) o diretor recorre a uma fotografia mais funérea que confere nocividade até mesmo a uma simples brincadeira de criança, na qual silhuetas aparecem e se movem sempre que a criança está de costas.
Enquanto Bayona tenta reproduzir com fotografia e um clima pesado para a história, o elenco, em especial Rueda e o pequeno Príncep (juro que o trocadilho não foi intencional…), dá o suporte necessário para um desenrolar convincente. Rueda reproduz muito bem o desespero e a busca pelo filho deixando clara a fragilidade, coragem e fé vacilantes (essencial nesse tipo de filme). Enquanto isso a participação do garoto em certos momentos soa, sim, artificial, mas há cenas em que Príncep e Rueda trabalham em níveis iguais, algo que valoriza ainda mais a verossimilhança.
O Orfanato ganha muito por saber lidar com seus contras, não os esconde, mas valoriza as qualidades que o filme tem e isso é o que importa. O resultado é muito melhor que muitas adaptações encontradas nas salas de cinema hoje. Não é atoa que, além da produção de Guilhermo Del Toro, o filme foi o escolhido da Espanha para o Oscar.


7 Comentários aqui!
abril 15th, 2008 @8:30 am
Luciano, gostei muito desse “O Orfanato”, um filme que é super convencional em sua estrutura narrativa, mas que se apóia na atuação de Belén Rueda e na trilha sonora para criar aquele clima tenso que esperamos de um filme de suspense.
abril 15th, 2008 @5:45 pm
Devo ver esse mês ainda, antes de sair de cartaz aqui. Depois te digo o que achei. Seu texto me deixou mais empolgado, como o da Kamila.
Ciao!
abril 17th, 2008 @4:39 am
Apesar de um ou outro defeito, “O Orfanato” é superior a maioria dos filmes americanos do gênero. Acho que me decepcionei na parte final (um tanto óbvia), mas no geral tem uma ótima qualidade técnica – além da atuação maravilhosa da Belén Rueda.
abril 19th, 2008 @10:11 am
tá na lista dos próximos que irei baixar!
abril 19th, 2008 @1:31 pm
Falaste muito bem! Mais do que usar clichês, o importante é usá-los sabiamente…
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